Transtornos mentais: interação entre Psiquiatria e Medicina do Trabalho

27/08/2017


Nos últimos quatro anos, transtornos mentais e comportamentais, como altos níveis de estresse, foram a terceira maior causa de afastamento dos trabalhadores brasileiros. Mais de 17 mil casos de concessão do auxílio-doença e da aposentadoria por invalidez foram registrados entre 2012 e 2016 com este motivo, segundo o Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, divulgado pelo governo.

Os dados fazem parte de uma pesquisa que trata dos benefícios concedidos por incapacidade temporária e definitiva. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o estresse pode causar alterações “agudas e crônicas” no comportamento dos empregados, principalmente “se o corpo não consegue descansar e se recuperar” das atividades trabalhistas.

Os números mostram como, hoje, no mundo do trabalho, a exigência de produtividade, de qualidade e de competição tem aumentado a incidência de novas doenças mentais. De acordo com a especialista em perícias médicas, Dra. Walneia Moreira, esses afastamentos têm um vilão principal: a ansiedade.

“Vivemos uma sociedade onde os indivíduos são cobrados e pressionados a serem competitivos e consumistas, o que por si só já é um fator preditivo para o surgimento da ansiedade. Este ritmo de vida traz consequências como a ansiedade, a intolerância de espera e, consequentemente, a pressa para realizar nossas atividades do dia a dia. Somos cobrados e estimulados, não só no trabalho, mas no nosso dia a dia a executarmos nossas tarefas em rápida velocidade e a velocidade de desempenho tem sido umas das grandes causas de ansiedade”, explica a especialista.

A ansiedade é uma característica normal do ser humano, é reacional e antecede momentos de perigo real ou imaginário. Contudo, como aponta Walneia, as sensações provocadas pela ansiedade atualmente são desproporcionais em relação ao estímulo. Um sentimento vago e desagradável de medo, e o desconforto derivado de antecipação de perigo de algo desconhecido ou estranho se tornam cada vez mais comuns.

“Os indivíduos relatam sensação permanente de pressa, dificuldade para relaxar, inquietude, dificuldade de viver o presente. Por isto é importante diferenciar a ansiedade normal dos transtornos de ansiedade patológicos, ou seja, aqueles que causam prejuízo ao desempenho profissional, acadêmico e social”, afirma.
Para debater o tema, Walneia será coordenadora do colóquio Tratamento integrado de transtornos mentais – Interação entre a Psiquiatria e a Medicina do Trabalho, parte da programação do Seminário Sudeste da ANAMT, que ocorre entre os dias 7 a 9 de setembro, em Belo Horizonte (MG).

O objetivo do encontro será mostrar como as duas áreas podem tratar juntas o crescimento de ações envolvendo esta problemática e do número crescente de afastamentos por transtornos mentais causados pelas condições laborais.

Transtornos mentais: interação entre Psiquiatria e Medicina do Trabalho

Ministério do Trabalho: Como prevenir as doenças ocupacionais

19/08/2017


Movimentos repetitivos, com uso de força, levantamento e transporte de pesos foram as principais causas que desencadearam a hérnia de disco que afastou o promotor de vendas Marcus Vinicius Corrêa, 37 anos, do trabalho. Ele atua há 12 anos com recepção, abastecimento e organização de mercadorias em supermercados. “Tudo começou com uma forte dor nas costas. Acredito que seja por ter levantado cargas pesadas de forma errada e pelo excesso de caixas que colocava no carrinho para adiantar o serviço”, diz Marcus Vinicius, que está afastado do trabalho, pelo INSS, há quatro meses.

Casos como de Marcos Vinicius são frequentes. As dorsalgia, por exemplo, popularmente conhecida como dor nas costas, é a doença que mais afasta trabalhadores no Brasil. Em 2016, 116.371 pessoas tiveram que se ausentar do trabalho por, no mínimo, 15 dias por essa razão.

As doenças ocupacionais são aquelas produzidas, adquiridas ou desencadeadas pelo exercício da atividade ou em função de condições especiais de trabalho. Atualmente, um profissional que desenvolve uma doença ocupacional possui, legalmente, os mesmos direitos que o envolvido em acidente de trabalho.Trabalhadores e empregadores precisam ficar alertas em relação às principais causas de doenças ocupacionais (veja abaixo) e a como evitá-las, buscando o constante aprimoramento das condições de saúde e segurança do ambiente de trabalho. Além disso, é preciso estar atento aos primeiros sinais de desconforto físico ou mental, procurando auxílio médico o quanto antes.

O auditor-fiscal e médico do Trabalho Jeferson Seidler, que atua no Departamento de Saúde e Segurança no Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho, explica que grande parte das doenças ocupacionais registradas não são reconhecidas pelas empresas, mas sim pela pericia médica do INSS, ou seja, são registros sem emissão da CAT, documento utilizado para reconhecer tanto um acidente de trabalho ou de trajeto quanto uma doença ocupacional. “Ainda existe uma dificuldade em fazer o nexo da doença com o trabalho, o que resulta em uma subnotificação dos casos. No acidente típico, a lesão é evidente e compatível com o relato da vítima, e dificilmente há dúvida quanto à relação entre a ocorrência e o trabalho. Nas doenças ocupacionais, não”. Segundo ele, o diagnóstico é mais subjetivo e, além de realizar a análise clínica, é preciso observar se o trabalho teve ou não influência no desencadeamento ou agravamento dos sintomas.

Ministério do Trabalho: Como prevenir as doenças ocupacionais

Ministério cobra rigoroso cumprimento das NRs

13/08/2017


No Dia Nacional da Saúde, celebrado 5 de agosto em homenagem ao médico sanitarista Oswaldo Cruz, que nasceu em 5 de agosto de 1872 e foi pioneiro no estudo de moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil, o Ministério do Trabalho reitera a importância do cumprimento das exigências contidas nas Normas Regulamentadoras (NRs) 07, 09 e 17, que têm foco na proteção da saúde de todos os trabalhadores, e da NR 32, implementada para garantir medidas de proteção dos trabalhadores que atuam na área de saúde. A data de 5 de agosto também marca o Dia Nacional de Vigilância Sanitária.

"É indispensável que tanto empregadores quando trabalhadores conheçam bem essas Normas, como forma de preservar a segurança e a saúde dos trabalhadores. A Inspeção do Trabalho atua continuamente para garantir que as medidas de proteção sejam executadas de forma adequada pelas empresas", afirma o auditor-fiscal do Trabalho, Jeferson Seidler, que atua no Departamento de Segurança e Saúde da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho.
As NRs 07, 09 e 17 tratam, respectivamente, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e da Ergonomia. As ações previstas nessas normas devem ser totalmente integradas, com avaliação minuciosa dos riscos físicos, químicos, biológicos e das condições ergonômicas do trabalho, com planejamento e implantação de medidas de controle eficazes e o monitoramento médico de todos os trabalhadores. Cabe ao empregador fornecer aos trabalhadores instruções escritas e, se necessário, afixar cartazes sobre os procedimentos a serem adotados em caso de acidente ou incidente grave, informando sobre os riscos existentes, suas causas e as medidas preventivas a serem adotadas.

A Norma Regulamentadora 32 tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores em estabelecimentos de assistência à saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. Entende-se por estabelecimentos de assistência à saúde qualquer edificação destinada à prestação de assistência à saúde, em qualquer nível de complexidade, em regime de internação ou não.

Fonte; Revista Proteção



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